Arcoverde está em festa. A Terra do Samba do Coco teve um dos seus Mestre reconhecidos como Patrimônio Vivo de Pernambuco. Da cidade, concorriam dois nomes ligados a essa tradição cultural - Assis Calixto e Severina Lopes - ambos com amplas chances de alcançar o reconhecimento, posto que têm dedicado as suas vidas a transmitir os seus saberes na comunidade local e nos lugares por onde se apresentam.

O contemplado, Francisco de Assis Calixto Montenegro, nasceu em 04 de outubro de 1944, no povoado de Estreito, no município de Sertânia, Sertão Pernambucano, é o principal autor das cantigas do Grupo de Coco Raízes de Arcoverde, além de participar das apresentações como cantor e musicista.

Chegou em Arcoverde em 1952 e desde muito cedo começou a participar de festas onde se dançava muito Samba de Coco. Com a morte do seu irmão Lula Calixto, responsável pela retomada da cultura do Coco em Arcoverde,  Assis, a partir de 1999, torna-se a principal referência do Coco Raízes por ser o autor da maioria das músicas executadas pelo grupo.

Mas o trabalho de Assis Calixto não se resume apenas à música, ele confecciona tamancos e outros souvenires que comercializa durante as apresentações do grupo, além de produzir esculturas de madeira e brinquedos de material reciclado.

Alunas de Assis Calixto, as mineiras Janaína Trindade e Wanessa Fagundes, ficaram maravilhadas ao se depararem com sua arte e retrataram a história do Mestre no folheto de cordel "A Oficina Desperta", lançado no início deste ano. 

Logo em seguida, assumiram a tarefa de realizar o projeto que culminou com a eleição do Mestre no XIV Concurso de Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, promovido pela Fundarpe/Secult, cujo resultado foi divulgado hoje e teve como contemplados, além do arcoverdense, Mestre Saúba (Brinquedos populares e mamulengos, de Jaboatão dos Guararapes); Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira (Nazaré da Mata); Mestre Aprígio (artesão do couro, de Ouricuri); Mestre Nado (artesão de instrumentos musicais feitos de barro, de Olinda) e Tribo Indígena Carijós do Recife (Caboclinho, do Recife).

Ao COCAR, na condição de entidade defensora da cultura popular, coube indicar o nome de Assis Calixto e apoiar as elaboradoras do projeto em seu trabalho de pesquisa e organização do material. As meninas contaram ainda com a família do Mestre, a equipe do SESC Arcoverde e as Professoras Edilza Vasconcelos e Márcia Moura, dentre outros.

Assis Calixto é o segundo artista de Arcoverde indicado pelo COCAR que recebe o título Patrimônio Vivo de Pernambuco. O Primeiro foi o Mestre João Silva, cantor e compositor e um dos maiores parceiros de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, cujo portfólio foi elaborado por seu biógrafo José Maria Marques para o concurso de 2012.

Nesse momento de alegria, devemos reverenciar, além de Assis Calixto e Severina Lopes, que nos representaram brilhantemente no Concurso do Patrimônio Vivo de 2019, todos os Mestres e artistas que no seu dia a dia fazem de Arcoverde um polo da cultura popular pernambucana.

 banner de divulgação: FUNDARPE

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