Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru (PE), sofre ordem de despejo do Instituto de Colonização e Reforma Agrária


Edição: Brasil de Fato / Foto: Arquivo MST - PE

O Centro Paulo Freire, espaço de formação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na cidade de Caruaru (PE), está sob ameaça de despejo. A decisão da ordem de reintegração de posse foi emitida no último mês de setembro e esta quinta-feira (10) era o prazo para cumpri-la, contudo, decisão judicial adiou por mais 30 dias o cumprimento da decisão.


A área de 15 hectares onde se encontra o centro de formação está há 20 anos sob gestão da associação de assentados de Normandia, nome da antiga Fazenda Normandia, que foi ocupada pelos trabalhadores rurais em 1º de maio de 1993.



Após um longo período de resistência, houve, em 1998, a desapropriação para fins de reforma agrária e indenização ao antigo proprietário, tornando Normandia um assentamento. Na área, vivem 41 famílias, que têm como espaço coletivo o centro de capacitação, três agroindústrias, 52 alojamentos, salas de aula, auditório para 700 pessoas, centro comunitário, quadra esportiva, academia pública para atividades físicas, creche e refeitório.



O pedido de reintegração de posse foi uma solicitação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), baixo a gestão Bolsonaro (PSL), para resolver um antigo desacordo envolvendo quatro famílias assentadas que, no passado, divergiram quanto ao destino que deveria ser dado à área coletiva. Segundo o MST, hoje, a relação é diferente e as famílias assentadas convivem em harmonia com as demais.



Se levada adiante, a desapropriação deve afetar a produção e beneficiamento de alimentos sem veneno em todo o estado de Pernambuco. Somente nas agroindústrias cooperativas da Normandia participam cerca de 2 mil camponeses da região, que processam seus alimentos sem agrotóxicos, e os fornecem para cerca de 400 escolas públicas de 20 municípios do agreste à região metropolitana de Recife. O Assentamento Normandia produz até 100 toneladas de carnes, mais de 180 toneladas de pães e bolos, e mais de 200 toneladas de raízes e tubérculos por ano.



Já o Centro Paulo Freire realiza atividades educativas em parcerias com as universidades públicas de Pernambuco, Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Faculdade Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre outras instituições, que também podem ter suas atividades afetadas com o despejo.



A defesa do Centro Paulo Freire mobilizou amplos setores da sociedade. Parlamentares, artistas, educadores, comunicadores, ativistas e até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declararam solidariedade e somaram forças à resistência do MST.

Edição: Brasil de Fato / Web Rádio e TV Muira-Ubi


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